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PEQUENOS FURTOS PREOCUPAM COMERCIANTES E LIGAM ALERTA PARA AUMENTO DA CRIMINALIDADE EM POÇO FUNDO

Uma situação alarmante e que merece muita atenção por parte das autoridades. Assim pode ser definida a situação de muitos comerciantes em Poço Fundo, principalmente dos ramos de supermercados e de lojas de variedades, perante o expressivo aumento de registros de pequenos furtos nos estabelecimentos. Os crimes, geralmente cometidos sem o mínimo pudor e “na cara dura”, preocupam os empresários, que se veem de mãos atadas devido a dois fatores: a exposição dos autores, que pode ser revertida em desfavor do denunciante, e a falta de leis que punam os ladrões, mesmo com provas contundentes e que os incriminam. Brechas na legislação que favorecem os meliantes e a sensação de impotência por parte dos comerciantes ao perceberem que fatos delatados não surtem efeito positivo também são apontados como empecilhos. A Polícia orienta que todos os casos sejam devidamente registrados, a fim de que medidas cautelares ou até definitivas sejam tomadas para combater esse tipo de ação delituosa.

De acordo com um proprietário de supermercado ouvido pela Reportagem do JPF após a ocorrência de uma sequência de pequenos furtos em sua loja em um curto espaço de tempo, dois grandes problemas para o combate a esse tipo de delito são as atuais leis brasileiras, que não contribuem muito no combate à criminalidade, e a exposição de pessoas em uma cidade do porte de Poço Fundo. “Ha muito tempo, meu comércio vem sofrendo com esse tipo de delito. Somente hoje (data em que a entrevista era feita), dois moleques roubaram produtos aqui. Pegamos pelas câmeras, mas depois que já tinham ido embora. São pequenas coisas, mas que, se juntarmos, dão um valor considerável no final das contas. Atualmente, a legislação brasileira não é tão punitiva. E isso desanima a gente, que acaba nem registrando a maioria dos casos e sai no prejuízo. Mas, a partir de agora, vamos pegar firmes nisso e ir até as últimas consequências, pois está ficando sem condições. Daqui uns dias, perdemos o controle e não há como ter volta mais. Já conversei com vários colegas e estamos montando uma estratégia para pegar e entregar os ladrões contumazes que existem na cidade”.

Outro empresário também relatou um crescimento nesse tipo de delito em sua loja e ressaltou que medidas enérgicas já estão sendo adotadas em seu estabelecimento para coibir a ação dos meliantes. “Recentemente, tivemos um aumento de pequenos furtos sim. Não temos esses dados oficiais, pois a gente nunca mensurou. Sempre que acontece algum delito, conseguimos pegar um ou outro depois do ocorrido, com a ajuda das imagens das câmeras. Mas é esporádico. Quando essa pessoa volta, a gente coloca funcionários para segui-la. Dificilmente acionamos a Polícia na hora, já que só descobrimos o crime depois. Porém, quando chamamos uma viatura, eles correm atrás e pegam. Quase nunca conseguem recuperar os itens subtraídos. A maioria dos ladrões é usuário de drogas e vem só pra roubar mesmo e vender os produtos para manter o vício. Se colocarmos no papel, esses pequenos delitos consomem cerca de 1% do faturamento, o que parece pouco, mas é um grande desfalque”.

Diante das constatações e das afirmações de que grande parte dos casos não é registrada em Boletins de Ocorrência, a Reportagem do JPF também conversou com o delegado Éder Neves. Em uma breve resposta, o chefe da Polícia Civil gimirinense afirmou que a delação é necessária para o desencadeamento de futuras ações que possam coibir a criminalidade, bem como garantir a segurança dos comércios. “O registro da ocorrência é fundamental para informar o fato às autoridades competentes, alimentar as estatísticas oficiais, a fim de evitar a subnotificação, conhecida como ‘sifra negra’ e, assim, viabilizar um planejamento estratégico em diversos níveis institucionais e a tomada de medidas para prevenir e reprimir a modalidade criminosa”.

Os números exatos de pequenos furtos cometidos nos comércios consultados pela Reportagem do JPF não foram informados, conforme os próprios donos relataram, mas acredita-se que a média é de, pelo menos, duas ou três ocorrências por dia.

 

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